quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Adaptação" e "Tudo sobre minha mãe"


Adaptação

                                                 


“_ Sabe por que eu gosto de plantas?Por serem tão mutáveis. A Adaptação é um processo profundo, temos de descobrir como viver no mundo.”
“_ Mas é mais fácil para as plantas. Elas não tem memória”

              



“A todas as atrizes que interpretam atrizes, a todas as mulheres que atuam, aos homens que atuam e se tornam mulheres, a todas as pessoas que querem ser mães. À minha mãe.”


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Todo o Teatro de Pirandello - Carlo Prina


Na verdade, comprei esse livro no sebo porque quando fui folhear-lo achei uma poesia Italiana em jornal, poesia de um tal de Luciano Folgore, duma época em que SP tinha seis dígitos de telefone.
Sim, comprei um livro só porque tinha um papel solto dentro dele de quando SP tinha apenas seis dígitos de telefone. Mas também, porque não saber um pouco de Pirandello? Leitura rápida.


Cosi é... se vi pare!
Dal libro Scrittori allo specchio di Luciano Folgore

Come il fu Mattia Pascal
Sono morto e sono vivo
faccio i uomo putativo
professione teatral

ché nella famiglia umana
noi nin siamo ció che sianmo
ma sol quello che appariamo
quidi ogni certezza é vana...

(Omaggio Del “Giornale degli Italiani” )

Assim é... se lhe parece!
(Escritores do livro num espelho de Luciano Folgore)

Como o falecido Mattia Pascal
Estou morto e estou vivo
Eu faço o humano putativo
Profissão teatral

Porque na família humana
Nós não somos o que nós somos
Mas apenas aqueles que pareciam
Portanto, qualquer certeza é inutil....


Enfim, são peças comentadas que servem apenas como uma prévia, além de saber sobre as interpretações de alguns atores e atrizes da época, como Cacilda Becker e Paulo Autran. Creio valer a pena ler algo mais recente e conhecer as peças. Em especial: “Assim é... se lhe parece...”, Henrique IV” “Seis personagens  a procura de autor”, “vestir os desnudos” e “A nova colônia”.


"Putativo", tema frequente nas obras de Pirandello:
Adj. Suposto, julgado.
Filho putativo,filho nascido de casamento putativo.
Dir.Casamento putativo, casamento que, suscetível de anulação, produz, todavia, até efetivação desta, todos os direito civis de um casamento válido para os filhos e o esposo que procederam de bioa fé quando de sua celebração... (dicionário on line)







sábado, 15 de outubro de 2011

Anarquismo - Uma história das idéias e movimentos libertários Vol 2 O movimento George Woodcock


 Hoje tem outras edições, este me foi apresentado no sebo... Nem éra o livro que eu procurava... Mas também não foi por acaso, ainda que este muitas vezes tenha papel fundamental no processo. “impresso no Brasil – Outono de 1984” Nenhuma dedicatória (o que também gosto nos livros de sebo), apenas uma assinatura datada 07/84. O que significa apenas, que alguém leu no inverno...

Ainda que hoje exista novas vertentes, este livro é parte da biblioteca básica de quem se interessa pelo tema. Woodcock dá um panorama da história do anarquismo, mostrando como foi o movimento principalmente na França, Espanha, Itália e Rússia; relatando brevemente nos E.U.A, sobre a colônia Nova Harmonia e colônia Utopia. A todo tempo correlaciona as principais influências: Kropotkin, Bakunin, Proudhon e outros mais influentes em determinados países e situações históricas. Uma verdadeira viagem no tempo.

Sobre a América Latina apenas esboça, e coloca uma ligação destes durante o século XIX com Espanha e Portugal por condições sociais semelhantes, o que favoreceu a difusão dos ideais anarquistas, principalmente por espanhóis, embora italianos também tenham desempenhado este papel mais fortemente na Argentina.
Por aqui cita a organização de artesãos e operários de indústria até o começo da década de 20 seguindo organização anarco-sindicalista.Fala também da colônia Cecília no capítulo referente a Itália.
Por vezes a leitura torna-se cansativa por conter muitas informações históricas nos diferentes países com suas peculiaridades anarquistas, mas de jeito nenhum fica desinteressante por este fato.

Trechos “...As causas perdidas podem ser as melhores- e normalmente são-, mas uma vez perdidas jamais voltarão a triunfar. E isso provavelmente é tudo que têm ao seu favor. Pois as causas são como os homens, e deveríamos permitir que morressem tranquilamente, para que o lugar por ela deixado fossem ocupados por novos movimentos que, talvez, viesses aprender tanto com suas virtudes quanto com suas fraquezas...”

“...Olhe nas profundezas de seu próprio ser”, disse Peter Arshinov, o amigo de Makhno. “ Busque a verdade e compreende-a por si mesmo. Ela não se encontra em nenhuma outra parte.” Nessa insistência em que a liberdade e a auto realização moral são interdependentes, e pois, uma não pode viver sem a outra, repousa o princípio fundamental do autêntico anarquismo...”

domingo, 25 de setembro de 2011

Anarquistas graças a Deus


Zélia resgata suas memórias da infância e parte da adolescência narrando suas percepções acerca do cotidiano de sua família (imigrantes italianos e anarquistas) durante todo o período que residiram na casa da rua Alameda Santos, SP. Com linguagem simples, com um “q” de criança que conta o que percebe e como se sente, possibilita viajarmos  um pouquinho na sua história e sermos remetidos a  época e fatos da narrativa.

Trechos:

(Sobre quando seu Ernesto deixou o trabalho de motorista) “Mas seu Ernesto não nascera para servir patrões. Não era homem para andar de luvas, empertigar-se ao abrir portas de carros, permanecer imóvel como estátua enquanto os patrões subissem ou descessem do automóvel, receber ordens.Positivamente não nascera para aquilo. Deu um basta, deixou o emprego.”

(Sobre SP)”... Fora esse detalhe, o do trânsito, a cidade crescia mansamente. Não havia surgido ainda a febre dos edifícios altos; nem mesmo o “Prédio Martinelli” – arranha céu pioneiro em São Paulo, se não me engano do Brasil- fora ainda construído. Não existia rádio, e televisão, nem em sonhos. Não se curtia sons em aparelhos de alta-fidelidade. Ouvia-se músicas em gramofones de tromba e manivela, havia tempo pra tudo, ninguém se afobava, ninguém andava depressa.”

(Sobre os enterros) ...”Quando havia algum enterro- no dizer de Savério- crescia a animação, os vizinhos apostavam: quantos cavalos conduzirão o coche funerário? Quantos automóveis o acompanharão? Quantos carros com coroa? Mais homens ou mulheres no cortejo?..”

(Colônia Cecília) “Cardias ainda ia mais adiante: nas ultimas páginas do seu estudo, seus planos, fazia um apelo às pessoas que estivessem de acordo com suas teorias (...) por fim Francisco Arnaldo Gattai encontrava alguém com dinamismo e inteligência, disposto a tornar realidade um sonho, seu e de outros camaradas”

“...Foi no livro do escritor Afonso Schmidt, “Colônia Cecília” publicado em 1942 em São Paulo, que encontrei algumas respostas as minhas indagações, interei-me da extensão da aventura anarquista...”

“...Havia ainda a versão anticlerical do tio Guerrando...”

domingo, 18 de setembro de 2011

Baixio das bestas(Cláudio Assis) e Persona (Ingmar Bergman)




Tá junto, mas não é análise comparativa; só comentários desses dois filmes que assisti esse final de semana.

Baixio das bestas

“ A pobreza é como um câncer, pode ter até parte boa no mundo, mas vai destruindo tudo. Quando tu vê já pegou o pulmão... A pobreza é que vai socializar o mundo!”

Frase dita pelo personagem de Matheus Nachtergaele . O filme aborda exploração, machismo e coronelismo. Particularmente gosto deste diretor. Infelizmente, não foi possível ver ainda Febre de Rato, expressão que por sinal, aparece na cena final deste filme.

Melhor cena: Personagem de Nachtergaele fuma um cigarro de maconha, olha diretamente para câmera e diz: “Sabe o que é o melhor do cinema? É que no cinema tu pode fazer o que tu quer.”

Persona

Uma atriz emudece e uma enfermeira a acompanha em uma casa de campo. Bem psicológico, com cortes no mesmo plano. Não tem como negar, pra quem assistiu Prête- à- Poter 10, o movimento “Adorável Callas” que a criação das atrizes sob supervisão de Antunes filho foi baseada neste filme de Bergman.






terça-feira, 6 de setembro de 2011

Os condenados - A trilogia do exílio - Oswald de Andrade



“Um velho barco tem sempre uma grande história, uma história maior que a do oceano” pg 328 Este trecho do livro resume a sensibilidade “cinematográfica” duma obra de arquivo de vivências pessoais do escritor.



Somos todos barcos...

Orelha(trecho):” Documento do difícil começo do modernismo em SP de 1917 a 1921, romance vaiado na semana de Arte Moderna, retrato do artista brasileiro quando jovem, “Os condenados” reúne os três romances planejados por Oswald para “A trilogia do exílio” no formato original – Os condenados (Alma) (1922). A estrela do absinto (1927) e A escada vermelha (1934). Verdadeiro Roman-fleuve do modernismo, intenso e variado, de personagens que se conhece, segundo Mário da Silva Brito, como Mary Beatriz – síntese de Kamiá, Landa e Dayse- na vida de Oswald; Jorge d´Avelos, síntese do próprio autor com o escultor Brecheret, e Mongol, a Pagu da rebeldia libertária. Romance de primeira geração modernista, drama exuberante e sofrido dos jovens artistas em rebelião contra o conservadorismo da sociedade paulistana, na procura tortuosa de uma vida autêntica, vivendo cenas do espetáculo do sofrimento humano, conta a história de lutas, castigos, desesperos e condenação, onde Carlos Drummond de Andrade viu “uma dor positiva, flagrante, uma dor nua”. Lança um grito de angústia e uma crítica radical dirigidos à família, à igreja, à imprensa e à própria história nacional, uma “indominável revolta contra o meio social” (Nestor Victor)
Monteiro Lobato foi o primeiro a ver a vida de Luquinhas “primorosamente cinematográfica numa série de quadros à Griffth”(1922) O estilo se adapta como um Emaillot à vida trepidante do século” (Sérgio Miliet, 1941)...”

Personagens/cenas (trechos) – Velho Lucas (avô de Alma) “ O velho Lucas, recolhido ante o oratório pequenino e sem vidro dos filhos falecidos,com santos nas paredes internas e uma corte de figuras celestes de diversos tamanhos, trazidos ainda do Amazonas, rezava por todas as madrugadas pálidas ou azuis. Nada queria da vida que lhe dera alguma coisa e tirava mais do que dera. Tinha o cão pequenino, a neta ruiva, o moleque. E sabia que
Deus o esperava no fim das tardes vacilante de seus dias.”

Alma/Telegrafista – “Alma vestia-se numa auréola,rindo muito o seu riso desigual e lascivo daquela amor macambúzio.
Sob o abajur, ouro e azul, o belo corpo numa camiseta transparente e curta, maxixava cantando:
-Tari-tari!Bem picadinho!Vou dançar...
João sentara-se pensando na impossibilidade de prolongar aquela vida.
Na íntima penumbra do peito, sentia correr-lhe um rio de tristezas atávicas, inexpressivo, surdo e tenebroso.
Pensava na sua incapacidade invencível para as festas da terra. Seus pais nunca haviam maxixado, nem sua irmã louca, pobre Ofélia sem Hamlet...”

Jorge- “ Fora sempre um fragmentário. Em torsos quebrados, metades, estudos largados, concentrava numa predileção alegre e constante a força reveladora da sua arte. Era um criador de mutilações”

“Sentia-se cansado. Resignava-se. Aceitaria doravante as diminuições que viessem. Era isso mesmo a vida humana- uma série de quedas físicas e de provações morais, em torno de uma grave e íntima ascensão...”


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Trecho: "Testamento de Rodin"

"...Lembrai-vos disso: não ha traços, só ha volumes. Quando desenhais, nunca vos preocupeis com o contorno, mas com o relevo. É o relevo, que rege o contorno.
Exercitai-vos sem descanso. É preciso acostumar-vos à profissão.
A arte não é senão sentimento. Mas sem a ciência dos volumes, das proporções, das cores, sem a destreza da mão, o sentimento mais vivo paralisa-se. O que aconteceria com o maior poeta em um pais estrangeiro cuja língua ele ignorasse? Na nova geração de artistas há um grande número de poetas que, infelizmente, se recusa a aprender a falar. Por isso, não fazem mais que balbuciar.
Paciência! Não conteis com a imaginação. Ela não existe. As únicas qualidades do artista são: sabedoria, atenção, sinceridade e vontade. Cumpri vossa tarefa como operários honestos.
Jovens, sede verdadeiros. Isto porém, não significa: sede banalmente exatos. Há uma exatidão elementar - a da fotografia e do modelado. A arte só principia com a verdade interior. Que todas as suas formas, todas as suas cores traduzam sentimentos..."