sábado, 2 de julho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

As Moscas



Continuo sem tempo de ler ou escrever sobre o que escrevo aqui de costume, aliás o tempo continua diminuto para dedicar-me as leituras também. Por boa causa.



Como é um blog pra você e as moscas, nada mais justo do que homenagea-las, com um texto deste autor que vale a pena conhecer.












As Moscas




Augusto Monterroso




Há três temas: o amor, a morte e as moscas. Desde que o homem existe, esse sentimento, esse temor, essas presenças nos acompanham sempre. Tratem os outros dos primeiros. Eu me ocupo das moscas, que são melhores que os homens, não que as mulheres. Fazem anos tive a idéia de reunir uma antologia universal da mosca. Continuo querendo. Sem embargo, logo me dei conta de se tratar uma empresa praticamente infinita. A mosca invade todas as literaturas e, claro, onde alguém põe o olho encontra a mosca. Não há verdadeiro escritor que em uma oportunidade não lhe tenha dedicado um poema, uma página, um parágrafo, uma linha; e se é escritor e não o tenha feito, aconselho-te que siga o meu exemplo e corras a fazê-lo. As moscas são Eumênides, Erínias; são castigadoras. São as vingadoras de não sabemos o quê; mas sabes que alguma vez te perseguiram e que te perseguirão sempre. Elas vigiam. São as enviadas de alguém inominável, boníssimo e maligno. Seguem-te. Observam-te. Quando finalmente morrer é provável, e triste, que baste uma mosca para levar quem pode dizer a onde tua pobre alma distraída. As moscas transportam, herdando infinitamente a carga, as almas de nossos mortos, de nossos antepassados, que assim continuam próximos de nós, acompanhando-nos, empenhados em nos proteger. Nossas pequenas almas transmigram através delas e elas acumulam sabedoria e conhecem tudo o que nós não nos atrevemos a conhecer. Quem sabe o último transmissor de nossa torpe cultura ocidental seja o corpo desta mosca, que vem reproduzindo-se sem enriquecer-se ao longo dos séculos. E, bem observada, creio que diga Milla (autor que supostamente desconheces mas graças a ocupar-se da mosca hoje é mencionado pela primeira vez), a mosca não é tão feia como à vista parece. Mas à primeira vista não parece feia, precisamente porque ninguém viu uma mosca à primeira vista. Toda mosca foi vista sempre. Entre a galinha e o ovo há a dúvida de quem veio primeiro. A ninguém ocorreu se a mosca veio antes ou depois. No princípio foi a mosca. (Era quase impossível que não apareceria aqui isso de que no princípio foi a mosca ou qualquer outra coisa semelhante. Dessas frases vivemos. Frases moscas que, como as dores moscas, não significam nada. As frases perseguidoras de que estão cheios nossos livros.) Esqueça mais fácil que uma mosca pare no nariz do papa que o papa pare no nariz de uma mosca. O papa, o rei ou o presidente (o presidente da república, claro; ou o presidente de uma companhia financeira ou comercial ou de produtos equivalente é geralmente tão ignorante que se considera superior a elas) são incapazes de chamar a sua guarda suíça ou a sua guarda real ou a seus guardas presidenciais para exterminar uma mosca. Ao contrário, são tolerantes e, quando muito coçam o nariz. Sabem. E sabem que a mosca também sabe e os vigia; sabem que o que na realidade temos são moscas de guarda que nos cuidam a toda hora de cair em pecados autênticos, grandes, para os quais se necessitam anjos da guarda de verdade que logo se descuidem e se voltem cúmplices, como o anjo da guarda de Hitler, ou como o de Johnson. Mas não há que fazer caso. Retorna ao nariz. A mosca que pousou no seu nariz é descendente direta da que pousou no de Cleópatra. Uma vez mais caí nas alusões retóricas pré-fabricadas que todo mundo já fez antes. A mosca quer que a envolva nesta atmosfera de reis, papas e imperadores. Consegue. Domina-te. Não podes falar dela sem sentir-se inclinado a grandeza. Oh, Melville, terias que recorrer a todos os mares para instalar ao fim essa grande baleia sobre teu escritório em Pittsfiel, Massachusetts, sem reparar que o mal revoava desde muito ao redor do teu sorvete de morango nas calorosas tardes de tua infância, passados anos, sobre ti mesmo quando ao crepúsculo te arrancava um que outro pelo da barba dourada lendo Cervantes e polindo teu estilo; e não necessariamente em aquela enormidade informe de ossos e esperma incapaz de fazer mal nenhum a não ser a que interrompesse sua sesta, como o louco Ahab. E Poe e seu corvo? Ridículo. Tu olhas a mosca. Observa. Pensa.




Augusto Monterroso nasceu em 1921, na Guatemala. Em 1944, mudou-se para o México e, depois de muito observar a fauna daquele país e de outros, se convenceu de que "os animais se parecem tanto com o homem que às vezes é impossível distingui-los deste". Assim surgiu "A ovelha negra e outras fábulas", lançado pela Editora Record - Rio de Janeiro, 1983, com tradução de Millôr Fernandes e ilustrações de Jaguar.Dele disse o escritor russo que se criou nos Estados Unidos, Isaac Asimov: "Os pequenos textos de A ovelha negra e outras fábulas, de Augusto Monterroso, aparentemente inofensivos, mordem os que deles se aproximam sem a devida cautela e deixam cicatrizes. Não por outro motivo são eficazes. Depois de ler "O macaco que quis ser escritor satírico", jamais voltei a ser o mesmo."Foi agraciado, em 2000, com o Prêmio Príncipe de Astúrias de Letras. Um dos escritores latinos mais notáveis, Monterroso tem predileção por contos e ensaios. "O dinossauro", uma de suas obras mais célebres, é considerado o menor conto da literatura mundial: "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá". Augusto Monterroso faleceu em fevereiro/2003.






O texto acima teve a tradução de Marcos Alqueire.






quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pra você e as moscas




Ando sem tempo de escrever aqui...




O tempo passa... as coisas mudam...




Amém!








Um até breve pra você que ainda me acompanha nisto aqui e as queridas moscas!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Da criação ao roteiro



Autor: Doc Comparato



Segunda Edição

É um livro fundamental pra quem pretende desenvolver roteiros. Assim segue parte da apresentação:
“... Trata-se, portanto, de um livro irrecusavelmente didático, voltado em primeiro lugar para os principiantes. Mas o caráter pedagógico não inibe a viveza da expressão, que sabe incorporar, quando necessário, o tecnicismo insubstituível.
A matéria está distribuída por dez capítulos que focalizam desde a idéia aos primeiros apontamentos até o roteiro em sua forma final, passando por tópicos como conflito, a personagem, ação, tempo e unidade dramáticas. Todos os capítulos começam por um texto reflexivo sobre o assunto em pauta e terminam por uma recapitulação ordenada da explanação e uma proposta de exercícios práticos que visam testar a apreensão e compreensão dos conteúdos...”

O capítulo primeiro tem início com um trecho de A. Chekov:

“Conselho aos dramaturgos...tente ser original na sua obra e tão diligente quanto lhe for possível, mas não tenha medo de se mostrar pateta. Devemos ter liberdade de pensamento e só é um pensador emancipado aquele que não tem medo de escrever patetices. (...) a brevidade é irmã do talento. Lembre-se, a propósito, de que declarações de amor, de infidelidades de maridos e esposas, viúvos, órfãs e outras desditas vêm sendo descritas desde há muito. (...)e o principal é que o pai e a mãe devem comer. Escreva. As moscas purificam o ar, e as obras, a moral.”

Particularmente achei a leitura bastante interessante e didática. O livro é finalizado com pósfacio de outros roteiristas onde Jonathan Gelabert coloca com humor uma “prevenção” às dez máximas que o jovem roteirista ouvirá nos seus primeiros anos de profissão: Aí vão elas, sem os comentários.

1” -Pago menos, porque você não é ninguém”
2- “Esta perfeito, mas...”
3“Tenho nas mãos algo sensacional. Por que não...?”
1- “Eu mesmo faria, mas não tenho tempo.”
2- “Você está começando, tenha um pouco de paciência”
3- “É que vocês, os escritores...”
4- “Eu, na verdade, não sei o que faço aqui.”
5- “Esta idéia era minha.
6- ”Como é que alguém conseguiu um subsídio pra fazer isso?”
7- “O ator deve dizê-lo, de qualquer maneira.”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O sangue dos outros



“Segundo romance de Simone de Beauvoir, O sangue dos outros narra o conflito de um membro da Resistência que se vê forçado a optar entre o engajamento social e o dever pessoal. Seguindo o pensamento existencialista, a autora procura analisar "a maldição original que constitui, para cada indivíduo, sua coexistência com todos os outros."”

Um pouco difícil de ler, tive que voltar várias vezes.

Algumas passagens das personagens:

“ ...Eu estava ali, diante de você; e pelo fato de ali estar, você me encontrou, sem motivo, sem o haver querido: você poderia daí em diante, aproximar-se ou fugir, mas não podia impedir que eu existisse a sua frente...”

“...Não fazer política é outra maneira de fazê-la...”

“...Ficou um momento aturdida: aquele casamento era como o fundo misterioso da noite: fazia parte dos mitos em que todo mundo fala com seriedade mas nos quais ninguém acredita de verdade...”

“...Ser amado não é La muito divertido; é muito mais interessante encontrar alguém a quem se possa amar...”

“...As pessoas são livres – dizia eu – mas apenas cada qual por si mesma: não podemos tocar em sua liberdade, nem provê-la ou exigi-la. E é isto que acho tão doloroso: o que faz o valor de um homem só existe pra ele e não pra mim, atinjo apenas o seu exterior e eu, pré ele não sou mais que uma exterioridade, um dado absurdo; um dado que nem sequer foi escolhido por mim...”

“Fazer política equivalia a reduzir os homens à sua aparência apreensível, a tratá-los como massas inconscientes, reservando apenas para mim o privilégio de existir como pensamento vivo: entretanto, para conseguir atuar sobre corpos inertes, para movê-los, este mesmo pensamento deveria transformar-se em força mecânica, opaca, na qual eu não mais me reconhecia...”

...” Li de uma feita: cada homem é responsável por tudo, diante de todos. E isto me parece tão verdadeiro!...”

...”Criar é um esforço para exprimir o ser, mas antes de tudo é preciso ser...”

...” É fácil pagar com o sangue dos outros.O sangue dos outros e o nosso não são a mesma coisa...”

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A entrevista de ajuda




Autor: Alfred Benjamim








Piro e as vezes leio ou releio uns mais técnicos.




É um livro básico e fundamental pra quem realiza entrevistas de ajuda, em qualquer área de atuação profissional.
São apresentadas e analisadas várias maneiras pelas quais os entrevistadores se comportam e que influências isto pode exercer no entrevistado.
O autor enfatiza e estimula a busca aproximada do comportamento do entrevistador com sua própria filosofia.

Na introdução do editor C. Gilbert coloca “ Este livro trata justamente de tal questão crítica: como fazer da entrevista de ajuda um relacionamento de ajuda? É o único livro atual que conheço sobre entrevista, tradada com sensibilidade e de forma total”

O autor é bastante influenciado por Carl Rogers.
Eis um trecho que gostei: “... A entrevista de ajuda é mais uma arte e uma habilidade do que uma ciência, e cada artista precisa descobrir seu próprio estilo e instrumento para trabalhar melhor. O estilo amadurece com experiência, estímulo e reflexão”

Relicário

GRUPO SEGUNDO ENCONTRO


“... Desejo, medo, amor, saudade, brincadeira, etc.. Estes são alguns dos elementos que são aos poucos pendurados neste varal de memórias compartilhadas, buscando na possibilidade de imaginar, uma forma de perceber e recriar a vida ( e talvez a própria morte)”

Elenco


Cris Nucci
Fernando Perin
Guilherme Maximo
Quesia Botelho

Ficha técnica

Criação e interpretação: o grupo
Direção e dramaturgia: Ana Clara Amaral
Assistência de direção e treinamento técnico: Eduardo Brasil
Coreografia: Ana Clara Amaral e elenco
Concepção de luz e operação: Eduardo Brasil
Sonoplastia: Ana Clara Amaral
Operação de som: Juliana Saravali Garcia
Operação áudio visual: Paulo Eduardo Rosa
Contra-regragem e participação final: Beatriz Coimbra

Aconteceu no Barracão Teatro este espetáculo não linear de teatro dança que é resultado do desejo de experimentação, trabalho e dedicação de ex- alunos do Curso Livre de Teatro. Espero em breve assistir outros trabalhos do grupo!