sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

FECHADO

Fechado. Foi o que eu li onde deveria ter um cartaz de filme. Filmes mais alternativos, isso é verdade. Via-se filmes franceses, alemães, brasileiros...
Poucos assentos tinha o Cine Paradiso, cadeiras antigas, vermelhas... Não posso dizer hoje como estava sua preservação atualmente. E nem vou poder dizer...
Fazia tempo que eu não andava por Campinas. Foi nesta galeria da cidade que eu comprei meu primeiro LP. Não é nostalgia.Só lembrei.Tomava café ali, as vezes cerveja. O sebo ainda tá lá. A loja, onde foi uma de discos, ao lado do cinema é muito legal também.
Sem mudar o foco.Pergunto pro cara da loja ao lado. Quando fechou? Quatro meses-Ele responde. Por que? Falta de público.Que merda. Raiva. Indignação.Lembranças.
Semana passada fui ver uma peça na terça feira no centro de convivência.Popularização do teatro.Vou comprar ingresso."A peça foi cancelada" escuto. Por que? Ninguém explica. Sei como é a correria entre trancos e barrancos pra apresentar uma peça. Mesmo com pouco público.
Barrancos. Assim soube, mais tarde. Éra como estava o teatro. Falta de iluminação. Por isso não apresentaram.Tinha público.
Leio o jornal.Decepção de alguns por Campinas não ser convidada à participar da virada cultural paulista. "Campinas terá sua própria virada cultural".
Realmente, a cidade precisa de uma virada cultural. Não de 24 horas.
Precisava desabafar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

História da sexualidade

História da Sexualidade 3 – O cuidado de si. Michel Foucalt

RESUMO

Foucault resgata textos de pensadores antigos como Platão, Aristólteles, Plutarco, Marco Aurélio e outros em distintos momentos históricos: mundo grego sec VI ao IV a. C e I a IV d. C.
Expõe a relação do indivíduo consigo mesmo, a preocupação com o uso dos prazeres numa reflexão moral, médica e filosófica.
Discorre sobre o método de Artemidoro na interpretação dos sonhos, o papel matrimonial, o vínculo conjugal, monopólio, o amor aos rapazes, apresenta técnicas de exame de consciência e preceitos que se encontram mais tarde na moral cristã.
O autor possibilita com a obra uma leitura crítica em torno da condição humana contemporânea, possibilitando abertura para reflexões atuais.

Frases (Tem todo um contexto, mas segue umas interessantes).

Da interpretação dos sonhos de Artemidoro
“O membro viril é assimilado aos pais, pois ele retém o princípio gerador; a mulher e “a amante porque ele é apropriado as coisas do amor...”

Da cultura de si – Sêneca
“... Se converter-se a si é afastar-se das preocupações com o exterior, dos cuidados com a ambição, do temor diante do futuro, pode-se então, voltar-se para o próprio passado, compilá-lo, passá-lo em revista e estabelecer com ele uma relação que nada perturbará...”

Do vínculo conjugal – Plutarco
“ Há os casamentos que só são contraídos para os prazeres da cama – eles pertencem a categoria dessas misturas que justapõem elementos separados, cada um dos quais guarda a sua individualidade. Há os casamentos que são concluídos por razão de interesses – eles são como essas combinações onde os elementos formam uma nova e sólida unidade, mas que podem sempre ser dissociados uns dos outros, assim como aquela que é constituída pelas peças de uma cumeeira. Quanto a fusão total – a “crase” que assegura a formação de uma nova unidade de que nada mais pode desfazer -, só os casamentos por amor onde os esposos são ligados pelo amor, podem realizá-la”


COTIDIANO:

Visito Márcia, Raul e as crianças na semana entre o Natal e Ano Novo.
Contexto: De manhã, a louça da noite anterior na pia, a gente tomando café na mesa e falando das nossas vidas, o Raul arrumando a campainha e gritando alguma pergunta pra Márcia, Márcia reponde gritando da cozinha. As crianças na sala.
...

Márcia: Lê

Leio: ”... Em documentos que datam o fim dos séculos IV ou III a.C os engajamentos da mulher implicavam a obediência ao marido, a interdição de sair a noite ou de dia, sem a sua permissão, a exclusão de qualquer relação sexual com outro homem, a obrigação de não arruinar a casa e de não desonrar o marido. Este, em compensação, devia manter sua mulher, não instalar uma concubina em casa, não maltratar sua esposa e não ter filhos das ligações que pudesse manter fora de casa. Mais tarde, os contratos estudados especificam obrigações muito mais estritas ao lado do marido. Sua obrigação de prover as necessidades de sua mulher é tornada mais precisa, como também é especificada a interdição de ter uma amante ou um favorito, e de possuir uma outra casa (na qual ele poderia manter uma concubina)...”

Márcia: Repete a parte da casa

Rio e repito: ...os engajamentos da mulher implicavam a obediência ao marido, a interdição de sair a noite ou de dia, sem a sua permissão, a exclusão de qualquer relação sexual com outro homem, a obrigação de não arruinar a casa e de não desonrar o marido...

Márcia: (Ia fazendo aquela expressão de consentimento que só ela faz até chegar a parte da ruína) Você disse ARRUINAR a casa? É isso?

Disse

Isso quer dizer então que enquanto ela ainda estiver de pé, ou seja, não estiver em ruínas eu continuo uma boa esposa?

Rio: Acho que sim!

Márcia: Ótimo!

Risos

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Natimorto


O Natimorto (um musical silêncioso) - Lourenço Martinelli


O autor trama a narração crua e reflexiva do protagonista aos diálogos deste com a cantora, outra presonagem principal.

Ele, um homem em crise com traços obsessivos, faz diariamente um paralelo entre as imagens de advertências dos maços de cigarros com os arcanos do tarot de Marselha.

Ela, com sua voz pura e inaudível aos ouvidos menos sensíveis, se envolve com ele e fascína-se com suas histórias.

O romance de ficção tem linguagem teatral e poética. O livro prende a atenção do leitor e a leitura acontece de maneira fluída. Já foi adpatado pra cinema, quero assistir.

A imagem ao lado é Magritte.

A arte de organizar as palavras
Trechos da obra

... E isso é o que eu posso provar
Desta estranha liberdade
Nem ir, nem voltar.
Peramaneço
de pé
do lado de fora da porta...

... _ Que horror! do jeito que você fala, parece que a vida é uma doença.

_ Alguém já disse que a vida éra uma doença fatal e sexualmente transmissível. ...

...

... _ Eu só estou fazendo o que disse que faria.
_ Mas uma coisa é o que dizemos, outra o que fazemos
_ Existe ainda o que pensamos, que não é nem uma coisa nem outra
_ Nem uma coisa nem outra?
_ É, não é o que falamos e também não é o que fazemos. ...

...

... Um amigo
um dia
me disse
que os médicos
haviam desenganado
seu pai
perguntei:
então eles o estavam enganando?
quando desenganado
morreu. ...

... _ Não, eu não consigo me ver. Só consigo me ver invertido, no espelho. Eu não sei como sou. ...

...

_ Bipolar não são os ursos?

sábado, 26 de dezembro de 2009

Finalmente, resenhas ou resumos e seleção de frases

Finalmente este blog cumprirá sua função inicial. Assim que criei esse tréco, sem saber ao certo pra que serviria (e confesso que não sei ao certo como isso funciona ainda) o objetivo éra fazer resenhas de livros e filmes ou seleção de frases destes, ainda que eu tenha lido alguns livros em 2008, ficou parado mais de um ano.
Mas, como a vida é uma comédia e por vezes tragédia, acabei escrevendo uns textos. Coisa de momento. Foram postados por "abindução" de amigos, destes que insistem em fazer você acreditar em algumas coisas....
Tenho consciência de que peco na gramática e tropeço nas palavras e não sei porque cargas d´água você e as moscas ainda frequentam este blog.
Não sei por que esta vontade inicial das resenhas e frases voltou, talvez seja o Natal, o blog foi criado na Páscoa...viagem.
Não sou crítica literária, não sou crítica de cinema, isso não me compete.Vou escrever apenas porque gosto de ler nas horas vagas, e horas vagas no momento é o que tenho. E, como já diziam que "mente vazia é oficina do diabo", melhor usar a internet com coisas que prestem, ou que pelo menos eu acredite que prestem, ou não, sei lá.
Não existe nenhuma seleção, vou postar o que for me aparecendo no decorrer do tempo. Espero que vocês tirem algum proveito disso. E se der vontade, também posto textos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Minas cativa

Das belezas daqui, difícil é não falar de Minas Gerais.
Da melancólica e sombria Ouro Preto que se esconde e que tive o privilégio de conhecer através de uma perspectiva de olhar dali á Diamantina, que com tanta história de peso mantêm-se leve e acolhedora; impossível tomar uma cerveja gelada sozinha com tantas boas companhias...
Milho Verde, o Lageado, os bons dias, boas tardes, boas noites, a fuga das vacas, o catolicismo, a "cultura da cachaça"...
Lavras Nova, a natureza, Dna. Maria, Dna Carmina...
A Chapada de Santana as companhias, a igrejinha, a campana...
Terra de Guimarães Rosa, terra de verso e prosa...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tudo o que é sólido pode derreter

A série é encantadora! Baseada no curta de Rafael Gomes, discorre sobre o cotidiano da personagem adolescente Thereza (Mayara Constantino). Tive o privilégio de assistir dois capítulos. O primeiro teve como temática o poema " Há metafísica bastante em não pensar em nada" de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O segundo, baseado na obra de "Macunaíma" de Mário de Andrade.
Na mesma semana discutia com uma amiga sobre educação; como transmitir informações e conceitos sem privar a liberdade, assim como a necessidade de selecionar programas juvenis de qualidade.
Que satisfação ver o universo literário transmitido ao adoslescente por este programa! Já está no ar pela TV Cultura faz algum tempo, mas nunca é tarde para elogios e descobertas. Fantástico! Nem tudo está perdido!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Não orna

Liz joga o cabelo para trás, faz um coque; sobe vagarosamente a rua, não como de costume:

Se eu atravessar o semáforo assim que ele fecha e aumentar a velocidade, pego o próximo aberto. Se sair cinco minutos mais cedo (pelo relógio de fora), pego o ônibus das 22:30.

Na ida sempre cruza com aquele cara na rua. Naquela rua ou em outra rua, até em outro horário, mas sempre no mesmo bairro:

Deve morar por aqui. Tem poucas casas, tem mais prédios, tem uns antigos até que bem grandes. É muito cachorro pra apartamento. Tem gente que não liga. Na volta tomo sopa, já vai ter acabado o mate pelo horário.
E aquela vez que ele beijava um dos cachorros na boca? Foda, beijar cachorro na boca. Daquela vez ele não me viu não. Deve ser um cara sozinho e gostar de heavy metal, tá sempre de preto. Ou sei lá, vai ver o cara é bruxo, já vi alguns por aqui.

Eles sempre se olhavam, um olhar cuja única menção era a espera, um olhar de média duração. Começavam a curta distância. Não era nenhum flerte. Era um olhar pronto pra reagir, mas esperavam a ação do outro pra isso. Cada um seguia seu rumo.
Os olhos dele eram azuis, diferentes do de Liz. Magro, alto, cabelo comprido, ruivo, barba.
“O cara dos cachorros” ela pensava quando o encontrava, saindo de restaurante vegetariano enquanto ela entrava, descendo do metrô enquanto ela subia, na rua com os cachorros:

De novo essa garota, deve morar aqui, já faz uns três meses. Parece que vai estudar esse horário. Não tem cara de que estude alguma coisa séria. Vai ver é mística, este bairro tá infestado disso agora, deve ir fazer algum curso do tipo. Calça amarela estampada com tênis vermelho. Não “orna” como diz minha mãe.
E aquela vez que ela desceu do ônibus bêbada 7:00 da manhã. Foda, mulher bêbada e ainda de manhã. Acho que ela nem me viu. Deve ser uma pessoa sozinha. “A garota da calça amarela”

Luiz sentia o ímpeto de dizer “oi” pra Liz, mas não passava disso. Liz pensava em sorrir e cumprimenta-lo, parava ai.
Até em nome se pareciam e não disseram nada. Apenas a comunicação estereotipada dos estereótipos.