terça-feira, 18 de maio de 2010

Jan Van Eyck











O Casal








Simbolismo




Primeiro pintor que acrescenta óleo

Gótico



Período medieval-renascimento



Giotto di Bondone

domingo, 9 de maio de 2010

A liberdade do corpo - soma, capoeira angola e anarquismo


Porquê da leitura:Este ano ganhei um irmão angoleiro, sua namorada, pessoa linda por dentro e por fora, chegou lá em casa com o livro com este livro.

Minha leitura no momento era"O pensamento vivo de Schopenhauer" que lido vagarosamente, reflexivamente todas as noites estava me causando reações adversas, sintomas claramente depressivos, então, decidi por temporária suspensão e substituição ver como está a capoeira angola hoje na soma.

Em 1993 assisti uma palestra sobre o Roberto Freire referente a Somaterapia anarquista e fugi da possível prática da Soma por me achar "velha" demais com 16 anos pra isto, e o palestrante ter colocado como certa "condição obrigatória" que senti paradoxal na época como única via pra que os desbloqueios reicheanos ocorressem. Desta época pra cá, em diferentes momentos da vida li três dos seus livros.

Desde que soube como era de fato, achei a capoeira angola bonita demais e é interessante saber da sua utilização como instrumento terapêutico libertário atualmente, uma vez que me senti como que saído de meditação após jogar ludicamente, no meu tempo de corpo com o grupo que se formou aqui.


O autor resgata, na medida do possível, o período da escravidão, emergência dos quilombos, hipóteses do surgimento da capoeira, suas transformações e reflexos hoje.
Discorre sobre instinto de irritabilidade animal, agressividade e afetividade, frisando a necessidade de serem exercidos naturalmente e de forma satisfatória.

Passa pela contribuição de Jung, Perls e principalmente Reich à psicanálise.Este último procura mais as relações entre a sociedade e o indivíduo na produção da neurose, assim como suas reações corporais.

João da Mata explica a técnica terapêutica da Soma que associa a pedagogia libertária à prática da terapia, buscando uma relação entre a problemática emocional e suas correspondências políticas; referindo-se a política enquanto jogos e conflitos de poder prioritariamente no plano microsocial das relações cotidianas.

A capoeira auxilia no processo da Soma enquanto forma de lidar com a agressividade, enfrentamento, equivalente orgástico, leitura corporal, criatividade, improvisação, originalidade e conscientização corporal.
O autor finaliza com algumas contribuições libertárias atuais de Foucault, pontua a ideologia anarquista e traz o universo cultural da angola pela formação do mestre Pastinha.

Trechos:
" O negro precisava rebelar-se contra a escravidão que limitava sua liberdade e lhe roubava a condição de ser humano. Toda vez que for retirada a possibilidade de ser livre o homem vai reagir. Primeiro, por uma condição biológica, pelo instinto de irritabilidade animal e o da preservação da espécie. Depois, pela percepção de que é impossível viver sem liberdade..."

"O ponto seguinte é a ausência de violência: na capoeira angola os jogos são essencialmente isso:jogos.Pretende-se atingir o adversário com alguns golpes e evitar que ele nos alcance, mas a angola bem feita, jogadas por mestres e alunos adientados, a luta, (no sentido de atingir o adversário) está sempre, inseparavelmente misturada ao jogo..."

" A capoeira, antes do processo de insttitucionalização, que a transformou mais em esporte do que em arte, preserva-se culturalmente pela tranmissão oral do conhecimento.Literalmente, aprendia-se fazendo, praticando e participando de seus rituais..."

" No início do século XX Reich afirma: os casamento desmoronam em consequência das discrepâncias sempre intensificadas entre as necessidades sexuais e as condições econômicas. As necessidades sexuais podem ser satisfeitas com um e um mesmo parceiro durante algum tempo.Por outro lado, o vínculo econômico, a exigência moralística e o hábito humanofavorecem a permanência da relação matrimonial. Isso resulta na infelicidade do casamento..."


" O anarquismo não é um modelo, um padrão a ser seguido. Apesar de defender princípios básicos e gerais, os vários anarquismos correspondem à diversidade entre os homens. " São diferentes rios que estão em paralelo, mas que vão desaguar no mesmo mar...""

"...segue o corrido:

Esta cobra me morde
Sinhô São Bento

Oi o Bote da cobra
Sinhô São Bento

Oi a cobra mordeu
Sinhô São Bento

O veneno da cobra
Sinhô são Bento...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A Religiosa


livro: A Religiosa
Autor: Denis Diderot

RESENHA

Motivos da leitura:R$ 7,00 no sebo. Vagas lembranças de ter simpatizado com o autor na aula de filosofia.Quaresma, logo, um bom título. A imagem da capa. O fato do livro não estar no mesmo lugar na prateleira desde a primeira vez que o vi até o dia da aquisição; coisa de ser humano.Tudo isso enquanto deveria estar decorando leis pra concurso.

Li como um romance, a obra remonta de 1760 e inicia-se a partir de uma brincadeira de Diderot e alguns amigos que escrevem cartas a um outro amigo como se fosse uma religiosa por quem este teve particular interesse na época. Pura associação de safadeza; como é relatado no prefácio.

Suzanne Simonin é uma personagem encantadora, amorosa, tem fé e é caridosa, porém, não tem vocação para vida monástica a qual foi submetida por ser filha de sua mãe fora do casamento.
Ela passa por alguns conventos e as personagens das superioras destes lugares são bem interessantes, especialmente a de Arpajon.
O autor traça os perfis psicológicos através de ações e traços físicos, o que atrai o leitor para o interior do personagem.
É uma crítica não a religiosidade em si, mas às regras da vida religiosa.
Uma vez que a trama é sobre a vida involuntária no clautro, seu pólo liberdade é bastante desenvolvido na obra.

Trechos:

"...Levavam-me comida, serviam-me; uma criada acompanhava-me à missa nos dias de guarda, e tornava a trancar-me. Eu lia, trabalhava, chorava, às vezes cantava; assim é que meus dias ecoavam. sustentava-me um sentimento secreto: o de que éra livre, e que minha sorte, por dura que fosse poderia modificar-se, mas estava decidido que eu fosse religiosa, e o fui..."

"...Peço pra ser livre porque o sacrifício da minha liberdade não foi voluntário"

"...O olhar dos seus olhos pequenos parecia ou voltar-se para dentro ou atravessar os objetos vizinhos e enxergar além, a uma grande distância, sempre no passado ou no futuro..."

"...É alternadamente compadecida e dura, no rosto decomposto acusa o absoluto desalinho do seu espírito e absoluta desigualdade do seu caráter; assim, a ordem e a desordem sucedem-se na casa..."

"...encontrei-me na palha que servia de leito, os braços amarrados...foi então que senti a superioridade da religião cristã sobre todas religiões do mundo, que profunda sabedoria existe no que a cega filosofia chama a loucura da cruz. No estado em que me achava, de que teria me servido a imagem de um legislador feliz e coberto de glória?..."

segunda-feira, 22 de março de 2010

Inércia


Livro: Inércia
autor: Marcos vinícius de Almeida

Quando decidi movimentar este blog comecei a procura por outros que pudessem me interessar. Eis que me deparo em um deles com um conto que me deixou encantada "Pinóquio e a Menina-de-Lata". Éra junho do ano passado e depois do primeiro terremoto no início do ano, um segundo acontecia na região central da BA.
O tempo provocando suas modificações foi ventando...comecei acompanhar "Ana e outros demônios" pelo blog do autor quando finalmente "Inércia" ficou pronto. fiquei feliz, pois poderia ler um livro inteiro do autor dos contos que eu gostava de ler.

Iniciei a leitura em outubro, dias depois viajei e deixei isso aqui só a você e às moscas mesmo.Só decidi escrever esta resenha agora, quando me deparei lendo devagarinho um outro conto do autor, querendo prolongar a leitura; deixando por opção, dar continuidade mais tarde, só pra não acabar.
Notando isto, lembrei-me que foi assim também com o livro(com a vantagem que é bem maior que um conto).

O livro retrata a vida através da percepção de Juan e sua vida amorosa desgastada pela rotina, mas não só isso, o personagem busca uma Lúcia que já não é mais a mesma, assim como ele já não é o mesmo. Relata suas reflexões acerca de si o do mundo, a vida universitária como estudante de filosofia com seu amigos, as lembranças de infância e adolescência.

A escrita é densa ao mesmo tempo que fluída, muda-se de um tempo a outro favorecendo o dinamismo da leitura.Juan é bastante introspectivo, a narração em primeira pessoa não se torna cansativa, uma vez que o personagem tem conteúdo psicológico, ótimas descrições físicas de espaço, ações e sensações que são muito bem transmitidadas ao leitor. É existencialista e a leitura é muito envolvente.

Com tudo isso,além das colocações típicamente mineira e outra interessante criada pelo autor. Considero, como leitora, uma obra de valor literário. Recomendo a leitura de Inércia e aguardo os próximos.

Ainda que a obra seja inspirada em sua vida, Marcos Vinícius como trabalhou muito bem o livro e assim vem mostrando com seus contos, ele está longe de ser autor de um só livro, como muitos "autores" que existem por aí.

A arte de envolver com as palavras:

"...Mesmo dormindo ela apossava-se de mim. Quer meu corpo sustentando sua inconsciência. Não compreendia aquilo, mais aceitava. Continuo não compreendendo, mas agora não aceito..."

"...Estranho isso...No fim das contas tanto faz. Porque mesmo me imaginando em outra vida acabo encontrando a mesma vida..."

"...Masturbar-se é deprimente. Tá certo. No fim das contas é a mesma coisa. Apesar do suor. Sussurros. Grunhidos. Ranger da cama de madeira ou metal. Cheiros. Feromônios. Declarações. Insultos avessos. Fazer sexo é masturbar-se no outro..."

"...Eu acho esses trem uma bobagem sem tamanho. Mas pra mim, o problema da matéria e pensamento tá la nos gregos, fraga? - Falou Adelmo.
Enquanto acendia um cigarro, Éder disse:
- Eu penso que a consciência é uma defesa da gente, igual a cobra tem seu veneno, a gente tem a inteligência."