sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Minas cativa

Das belezas daqui, difícil é não falar de Minas Gerais.
Da melancólica e sombria Ouro Preto que se esconde e que tive o privilégio de conhecer através de uma perspectiva de olhar dali á Diamantina, que com tanta história de peso mantêm-se leve e acolhedora; impossível tomar uma cerveja gelada sozinha com tantas boas companhias...
Milho Verde, o Lageado, os bons dias, boas tardes, boas noites, a fuga das vacas, o catolicismo, a "cultura da cachaça"...
Lavras Nova, a natureza, Dna. Maria, Dna Carmina...
A Chapada de Santana as companhias, a igrejinha, a campana...
Terra de Guimarães Rosa, terra de verso e prosa...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tudo o que é sólido pode derreter

A série é encantadora! Baseada no curta de Rafael Gomes, discorre sobre o cotidiano da personagem adolescente Thereza (Mayara Constantino). Tive o privilégio de assistir dois capítulos. O primeiro teve como temática o poema " Há metafísica bastante em não pensar em nada" de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O segundo, baseado na obra de "Macunaíma" de Mário de Andrade.
Na mesma semana discutia com uma amiga sobre educação; como transmitir informações e conceitos sem privar a liberdade, assim como a necessidade de selecionar programas juvenis de qualidade.
Que satisfação ver o universo literário transmitido ao adoslescente por este programa! Já está no ar pela TV Cultura faz algum tempo, mas nunca é tarde para elogios e descobertas. Fantástico! Nem tudo está perdido!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Não orna

Liz joga o cabelo para trás, faz um coque; sobe vagarosamente a rua, não como de costume:

Se eu atravessar o semáforo assim que ele fecha e aumentar a velocidade, pego o próximo aberto. Se sair cinco minutos mais cedo (pelo relógio de fora), pego o ônibus das 22:30.

Na ida sempre cruza com aquele cara na rua. Naquela rua ou em outra rua, até em outro horário, mas sempre no mesmo bairro:

Deve morar por aqui. Tem poucas casas, tem mais prédios, tem uns antigos até que bem grandes. É muito cachorro pra apartamento. Tem gente que não liga. Na volta tomo sopa, já vai ter acabado o mate pelo horário.
E aquela vez que ele beijava um dos cachorros na boca? Foda, beijar cachorro na boca. Daquela vez ele não me viu não. Deve ser um cara sozinho e gostar de heavy metal, tá sempre de preto. Ou sei lá, vai ver o cara é bruxo, já vi alguns por aqui.

Eles sempre se olhavam, um olhar cuja única menção era a espera, um olhar de média duração. Começavam a curta distância. Não era nenhum flerte. Era um olhar pronto pra reagir, mas esperavam a ação do outro pra isso. Cada um seguia seu rumo.
Os olhos dele eram azuis, diferentes do de Liz. Magro, alto, cabelo comprido, ruivo, barba.
“O cara dos cachorros” ela pensava quando o encontrava, saindo de restaurante vegetariano enquanto ela entrava, descendo do metrô enquanto ela subia, na rua com os cachorros:

De novo essa garota, deve morar aqui, já faz uns três meses. Parece que vai estudar esse horário. Não tem cara de que estude alguma coisa séria. Vai ver é mística, este bairro tá infestado disso agora, deve ir fazer algum curso do tipo. Calça amarela estampada com tênis vermelho. Não “orna” como diz minha mãe.
E aquela vez que ela desceu do ônibus bêbada 7:00 da manhã. Foda, mulher bêbada e ainda de manhã. Acho que ela nem me viu. Deve ser uma pessoa sozinha. “A garota da calça amarela”

Luiz sentia o ímpeto de dizer “oi” pra Liz, mas não passava disso. Liz pensava em sorrir e cumprimenta-lo, parava ai.
Até em nome se pareciam e não disseram nada. Apenas a comunicação estereotipada dos estereótipos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Chove...

Cai a chuva e com ela a nostalgia ao invés da abundância. Ou será a nostalgia resultado da própria abundância de lembranças?
É bom conhecer pessoas. Das que ficam na memória, do arquivo torto, quase sempre saem boas recordações. “Haja hoje pra tanto ontem” já diz Leminsk...

Poeta doido de montanha... sem saber começou a me fazer enxergar que o concreto não adianta quando o que interessa é abstrato...
Não sabia a idade do poeta, nem imaginava. Poeta não tem idade.
Quando encontrei essa figura, as montanhas eram de areia, e as águas diferentes das que passavam na sua terra e gelava sua limonada pra tomar com sua menina que ele recordava com tanto carinho.
“Você fuma pra caralho!!!” Ele comentava entre uma lembrança e outra, eu o ouvia...
Realmente... 2001...
Choveu uma semana direto naquele janeiro...


Comemos uma moqueca de sururu com nosso amigo querido, que como nós, também se escondia por lá, só que há mais tempo.Lá. Um lugar daqueles pra se esconder, se procurar, se encontrar ou se perder. Era meu reencontro com esse amigo querido e seu cão. Com ele aprendi algumas coisas sobre o céu, entre outras que me serviram mais tarde...
Ele já não se escondia por lá quando retornei anos depois...



O GARIMPEIRO

Era uma vez um garimpeiro
Que não tinha dinheiro
E se enganou
Com o valor real das pedras.
E hoje ao acordar
Ascendeu o fogão a lenha e fez café,
A casa estava fria
Então resolveu sair e sentar
No alto de uma montanha
De cara pro sol
Pra não perder a fé
A manhã estava apenas começando.
Sua casinha lá...
Embaixo.
Mais próxima dele
Uma casinha de barro
Onde uma negra rachava lenha
E dois pretinhos brincavam no quintal
A cada batida daquela machado
Algo rachava dentro do seu coração
Teve uma hora, que a negra
Deu uma machadada, que a porrada foi tão forte que tudo escureceu
E, ele partiu ao meio.
E de repente, seu amor apareceu
Sorriu e disse: Meu amor, meu garimpeiro
Levante dessa montanha
E vá!
Ele se levantou e foi
Só que não sabe pra onde
Não sabe pra quê
Nem pra quem
Talvez, ninguém.
No Vale do Pavão, em Visconde de Mauá
Era sexta feira do mês de agosto
Do ano de mil novecentos e noventa e nove.
E a manhã estava apenas começando...
E ele gozava
De uma profunda solidão
A solidão dos coiotes.

Marcopoeta – Imagem & Semelhança Ed.2000 pg.17.



CONSUMIDOR

O LOUCO PEDE A SOBREMESA SOBRE A MESA
E JOGA
AO CHÃO
A SOCIEDADE
EM CONSERVA

Marcopoeta – Imagem & Semelhança Ed. 2000 pg 39


... Até próxima poeta...
E o desejo que tudo tenha dado e dê certo...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dia a dia a busca desenfreada da alegria ou amenia da tristesa em carne viva
O mundo é vermelho Jeanne, pouco a pouco caem gotas de sangue
Ainda com sorte enquanto entorpecida nenhuma vivalma te jogou mais abaixo
O dia vai, a noite vem, a madrugada acaba
O novo dia amanhece e a dor não passa
Troca sua madrepérola por um pão com mortadela
Apaga.Acha que descansa
Que bom que ninguém te acompanha
Se toca, se liga
Pega informação do ônibus, desliga
Acorda, é um novo dia
O mundo é amarelo Jeanne...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A panela de pressão toca o hino. Assusta, mas ela só funciona assim.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fui comparar crisantemo, trouxe calendula


Paro e penso quantas vezes nos confundimos na vida. Achamos que estamos levando uma coisa e levamos outra. E isso em tudo, escolha profissional, roupas, filosofia de vida, amizades, relacionamento amoroso...

No caso da calendula eu tinha a certeza que era crisentemo. Até quando eu guardei as flores amarelinhas na bolsa. De repente, a palavra crisântemo veio a mente!
Precisava da flor como remédio alternativo da medicina chinesa, mais pra alma, e a florzinha tem suas funções específicas refrescantes para órgãos vitais. Refresca rins e fígado, ameniza raiva, entre outros benefícios. Como “o poço ainda está sendo revestido” como diz o I ching no momento, pensei: crisântemo ajuda no processo! Quero crisântemo.

Apareceu-me ela assim, por um lapso de linguagem, amarela forte, como minúsculos girasóis. Deve servir pra alguma coisa. A calêndula não me falou nada sobre sua importância e como o destino traça suas tramas, de certa forma tentando “magicar” o momento, interferindo inconscientemente ou conscientemente no meu livre arbítrio! Ufa! Ainda bem que calendulas não justificam suas aparições ao acaso! Ela simplesmente apareceu, e eu busquei essa aparição. Eu sabia que ela tinha suas propriedades apesar de não saber quais, ela não fora pesquisada e fundamentada como fiz com o crisântemo. Cabia aceitá-la ou não, depois vir a saber suas qualidades e se me serviam no momento ou não.

Penso em como fiz e por vezes faço isso na vida, aceitar o que me aparece e conhecer depois suas propriedades. Como já fui feliz com isso e como também quebrei a cara. Então, isso é bom ou é mal? É preciso reformular esses conceitos e balanceá-los a cada caso ou acaso. Nunca acreditei que pessoas são como essas minhas calêndulas, que mesmo aparecendo por “destino”, podem ser usadas enquanto servem e descartadas se não há serventia, foi muito triste quando percebi que nem todos no mundo pensam assim. É sempre um choque quando nos deparamos com jeitos muito diferentes do nosso de ver a vida. Isso é muito útil para reforçar e aprimorar nossos conceitos.

Estava lendo um livro sobre filosofias várias, e vou resumir toscamente. Dizia que para “pesar” se algo é bom ou mal, devemos nos perguntar: “ Gostaria que todos no mundo tivesse a mesma atitude?” Se sim, é bom; se não, é mal. Basicamente, a mesma coisa de não faça aos outros aquilo que não querem que façam com você, com uma visão amplificada. Mas na prática isso pode ser muito interessante, dependendo do caso. Volta-se a necessidade de definir o bem e o mal e agora saber se cabe universalmente...

Voltando as calendulas...

Calendulas são cicatrizantes, tonificantes pra pele, antiséptico, trata problemas uterinos e cólicas. Quando usadas exageradamente pode provocar depressão, nervosismo, falta de apetite e náuseas.
Mas olha... tem como atributo sonhos proféticos...

Dá uma vez ao ano, abre quando o sol nasce e se fecha quando ele se vai...


Lembro-me da última pessoa que me enganou, ou que me deixei enganar vai saber... é preciso coragem pra admitir, mas hoje posso dizer com certeza que ela só pensou em benefícios próprios, só percebi isso mais tarde, depois de ter acreditado e depositado amor e confiança. A pessoa se achava o próprio sol, e eu acreditando que os sentimentos dela eram de verdade, agia como a calendula...
Agora percebo quanta diferença há entre uma flor entre as flores e a estrela das estrelas...
E, pra não dizer que eu não falei das flores... vou buscar crisantemo.