sexta-feira, 3 de agosto de 2012

AS BELAS IMAGENS - Simone de Beauvoir




S
em muito tempo pra me dedicar a leitura, escolhi este livro, por gostar do estilo da autora e custar R$ 7,00 no sebo.
Não é dos que mais gostei, mas vale a pena. A mistura de narrações confunde um pouco no começo, mas depois engrena e vai!
Laurence é publicitária, bem sucedida. Enxerga as imagens dos produtos “trabalhadas” para se tornarem produtos desejáveis; mesmo quando não está a trabalho ela se "pega" nesta avaliação.Casamento, filhas, amante, sem acreditar em ensinamentos religiosos, tem alta admiração pelo estilo de vida do pai, até decepcionar-se com suas expectativas.
Começa a questionar –se e comparar-se com a filha mais nova, que em virtude de uma amizade com outra menina ,tende a se perguntar sobre o sofrimento no mundo.

Segue trechos:

“...Por que Jean Charles de preferência a Lucien? O mesmo vazio se cria as vezes quando está com um, com outro; só que entre ela e Jeana Charles há as crianças, o futuro, o lar, o laço sólido; perto de Lucien, quando não sente mais nada, ela está a frente de um estranho. Mas se fosse com ele que tivesse casado? Não seria nem pior nem melhor, acha ela. Porque um homem de preferência a outro? É estranho. A gente se amarra para o resto da vida a um cara, porque foi ele que encontramos aos dezoito anos. Não está sentida que tenha sido Jean Charles, longe disso...”

“ ...Socialistas ou capitalistas, em todos os países do mundo, o homem é esmagado pela técnica, alienado ao seu trabalho, subjugado, embrutecido...”

“..."E agora, como agir?” ela se pergunta sentando novamento no sofá. Ascende um cigarro. Nos romances à moda antiga, não param de ascender cigarros, é artificial, diz Jean Charles. Mas na vida real isso se faz frequentemente quando as pessoas precisam parecer mais à vontade...”

sábado, 7 de julho de 2012

Antropoantro - Macc


E
stá acontecendo no Macc Campinas – Hiléia – Museu do Vazio/Livro Imagem/Livre Imagem
Antropoantro – Em todos os lugares





Vale a pena conferir! 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O sumiço é devido ao trabalho formal.
Peço desculpas a você e as moscas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A arte de escrever –Arthur Schopenhauer



Este livro me apareceu no carnaval passado, na porta de um quarto no RJ, com mais um do Fernando Pessoa e dois filmes, um deles: “Os sonhadores”.
Quem me presenteou não cheguei a conhecer devido a uma série de desencontros, ou talvez não tenha havido desencontro algum.


Basicamente trata do não pensar quando se lê. Das imperfeições das traduções, da importância das línguas antigas, da arte de escrever e decadência da literatura de sua época. Diferencia bons autores da literatura de consumo, fala sobre a importância dos clássicos e “desce a lenha” na prolixidade do Hegel. Tudo com a clareza e originalidade que só ele tinha e era pouco reconhecida em sua época.

Segue a seleção de trechos interessantes:

“... Assim como as atividades de ler e aprender, quando em excesso, são prejudiciais ao pensamento próprio, as de escrever e ensinar em demasia também desacostumam os homens da clareza e profundidade do saber e da compreensão, uma vez que não lhe sobra tempo para obtê-los...”

“... A leitura não passa de um substituto do pensamento próprio. Trata-se de um modo de deixar que seus pensamentos sejam conduzidos em andadeiras por outra pessoa...”

“ ...É possível a qualquer momento sentar e ler, mas não sentar e pensar...”

“Nas ciências cada um quer  trazer algo novo para o mercado, com o intuito de demonstrar seu valor;com frequência, o que é trazido se resume a um ataque contra o que valia até então como certo, para pôr no lugar afirmações vazias...”

“...Não há nada mais fácil do que escrever de tal maneira que ninguém entenda; em compensação, nada mais difícil do que expressar pensamentos significativos de modo que todos compreendam. O ininteligível é parente do insensato, e sem dúvida é infinitamente mais provável que ele esconda uma mistificação do que uma intuição profunda...”

“ ...Usar muitas palavras para comunicar poucos pensamentos é sempre o sinal inconfundível da mediocridade; em contrapartida, o sinal de uma cabeça eminente é resumir muitos pensamentos em poucas palavras...”

“...Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar...”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Adaptação" e "Tudo sobre minha mãe"


Adaptação

                                                 


“_ Sabe por que eu gosto de plantas?Por serem tão mutáveis. A Adaptação é um processo profundo, temos de descobrir como viver no mundo.”
“_ Mas é mais fácil para as plantas. Elas não tem memória”

              



“A todas as atrizes que interpretam atrizes, a todas as mulheres que atuam, aos homens que atuam e se tornam mulheres, a todas as pessoas que querem ser mães. À minha mãe.”


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Todo o Teatro de Pirandello - Carlo Prina


Na verdade, comprei esse livro no sebo porque quando fui folhear-lo achei uma poesia Italiana em jornal, poesia de um tal de Luciano Folgore, duma época em que SP tinha seis dígitos de telefone.
Sim, comprei um livro só porque tinha um papel solto dentro dele de quando SP tinha apenas seis dígitos de telefone. Mas também, porque não saber um pouco de Pirandello? Leitura rápida.


Cosi é... se vi pare!
Dal libro Scrittori allo specchio di Luciano Folgore

Come il fu Mattia Pascal
Sono morto e sono vivo
faccio i uomo putativo
professione teatral

ché nella famiglia umana
noi nin siamo ció che sianmo
ma sol quello che appariamo
quidi ogni certezza é vana...

(Omaggio Del “Giornale degli Italiani” )

Assim é... se lhe parece!
(Escritores do livro num espelho de Luciano Folgore)

Como o falecido Mattia Pascal
Estou morto e estou vivo
Eu faço o humano putativo
Profissão teatral

Porque na família humana
Nós não somos o que nós somos
Mas apenas aqueles que pareciam
Portanto, qualquer certeza é inutil....


Enfim, são peças comentadas que servem apenas como uma prévia, além de saber sobre as interpretações de alguns atores e atrizes da época, como Cacilda Becker e Paulo Autran. Creio valer a pena ler algo mais recente e conhecer as peças. Em especial: “Assim é... se lhe parece...”, Henrique IV” “Seis personagens  a procura de autor”, “vestir os desnudos” e “A nova colônia”.


"Putativo", tema frequente nas obras de Pirandello:
Adj. Suposto, julgado.
Filho putativo,filho nascido de casamento putativo.
Dir.Casamento putativo, casamento que, suscetível de anulação, produz, todavia, até efetivação desta, todos os direito civis de um casamento válido para os filhos e o esposo que procederam de bioa fé quando de sua celebração... (dicionário on line)







sábado, 15 de outubro de 2011

Anarquismo - Uma história das idéias e movimentos libertários Vol 2 O movimento George Woodcock


 Hoje tem outras edições, este me foi apresentado no sebo... Nem éra o livro que eu procurava... Mas também não foi por acaso, ainda que este muitas vezes tenha papel fundamental no processo. “impresso no Brasil – Outono de 1984” Nenhuma dedicatória (o que também gosto nos livros de sebo), apenas uma assinatura datada 07/84. O que significa apenas, que alguém leu no inverno...

Ainda que hoje exista novas vertentes, este livro é parte da biblioteca básica de quem se interessa pelo tema. Woodcock dá um panorama da história do anarquismo, mostrando como foi o movimento principalmente na França, Espanha, Itália e Rússia; relatando brevemente nos E.U.A, sobre a colônia Nova Harmonia e colônia Utopia. A todo tempo correlaciona as principais influências: Kropotkin, Bakunin, Proudhon e outros mais influentes em determinados países e situações históricas. Uma verdadeira viagem no tempo.

Sobre a América Latina apenas esboça, e coloca uma ligação destes durante o século XIX com Espanha e Portugal por condições sociais semelhantes, o que favoreceu a difusão dos ideais anarquistas, principalmente por espanhóis, embora italianos também tenham desempenhado este papel mais fortemente na Argentina.
Por aqui cita a organização de artesãos e operários de indústria até o começo da década de 20 seguindo organização anarco-sindicalista.Fala também da colônia Cecília no capítulo referente a Itália.
Por vezes a leitura torna-se cansativa por conter muitas informações históricas nos diferentes países com suas peculiaridades anarquistas, mas de jeito nenhum fica desinteressante por este fato.

Trechos “...As causas perdidas podem ser as melhores- e normalmente são-, mas uma vez perdidas jamais voltarão a triunfar. E isso provavelmente é tudo que têm ao seu favor. Pois as causas são como os homens, e deveríamos permitir que morressem tranquilamente, para que o lugar por ela deixado fossem ocupados por novos movimentos que, talvez, viesses aprender tanto com suas virtudes quanto com suas fraquezas...”

“...Olhe nas profundezas de seu próprio ser”, disse Peter Arshinov, o amigo de Makhno. “ Busque a verdade e compreende-a por si mesmo. Ela não se encontra em nenhuma outra parte.” Nessa insistência em que a liberdade e a auto realização moral são interdependentes, e pois, uma não pode viver sem a outra, repousa o princípio fundamental do autêntico anarquismo...”